Faleceu nesta quinta-feira (29), aos 99 anos, o ex-prefeito de Petrolina, Diniz de Sá Cavalcanti, uma das figuras mais emblemáticas da história política do município e de Pernambuco. Com uma trajetória marcada por décadas de atuação na vida pública, Seu Diniz, como era carinhosamente conhecido, deixa um legado profundamente ligado ao desenvolvimento administrativo, social e urbano da cidade.

Ao longo da carreira, Diniz Cavalcanti exerceu cinco mandatos como vereador, foi vice-prefeito por duas vezes, prefeito de Petrolina entre 1977 e 1982 e deputado estadual de Pernambuco por três mandatos, de 1991 até janeiro de 2003. Sua atuação consolidou seu nome como uma das principais lideranças do Sertão do São Francisco.

Em agosto de 2025, ao completar 99 anos, Diniz foi homenageado por lideranças políticas e instituições locais, que destacaram sua contribuição decisiva para a construção e consolidação de Petrolina como polo regional de desenvolvimento.

Trajetória política e legado

Foi durante a gestão como prefeito que Diniz Cavalcanti imprimiu algumas das marcas mais visíveis de sua atuação. Entre as principais obras do período estão o Viaduto dos Barranqueiros e o atual Aeroporto de Petrolina. Ele também teve papel decisivo na criação do bairro José e Maria, surgido a partir do reassentamento de famílias que viviam em áreas de ocupação irregular durante o período de forte seca no Nordeste, na década de 1970.

Segundo relatos do próprio ex-prefeito, a gestão enfrentou o desafio do crescimento acelerado da cidade, impulsionado pela chegada de trabalhadores atraídos pelos projetos de irrigação. Para garantir dignidade à população, a prefeitura viabilizou transporte para os polos de trabalho e buscou recursos junto ao Governo Federal, ao Banco Mundial e ao então Banco Nacional da Habitação (BNH). As contas da administração, segundo ele, foram posteriormente aprovadas por unanimidade.

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Diniz também se destacou pela atuação voltada para o Sertão, apresentando projetos e defendendo investimentos para a região do Vale do São Francisco.

Vida antes da política

Natural de Cabrobó (PE), Diniz Cavalcanti mudou-se para Petrolina aos 17 anos. Antes de ingressar na política, teve atuação pioneira em diversas atividades econômicas da região. Trabalhou como caminhoneiro no trecho Petrolina-Recife, motorista no transporte de passageiros entre Petrolina e Juazeiro (BA) e na agricultura irrigada, com o plantio de cebola e melão.

Além da política, também ocupou cargos de liderança em entidades civis, como a presidência do Rotary Club de Juazeiro (BA), da Associação dos Produtores de Tomate do Médio São Francisco e dos Irrigadores do Projeto Senador Nilo Coelho.

Diniz Cavalcanti também foi sócio-fundador da Fundação Nilo Coelho, instituição que se tornou um dos principais centros educacionais do Nordeste e do Brasil.

Reconhecimento e homenagens

Diversas instituições e autoridades emitiram notas de pesar destacando a importância de Seu Diniz para Petrolina e para Pernambuco. A Prefeitura, a Câmara Municipal, a CDL de Petrolina, a Facape e lideranças políticas ressaltaram sua simplicidade, compromisso com o interesse público e contribuição histórica para o crescimento da cidade.

O prefeito Simão Durando destacou que Diniz foi um dos grandes responsáveis por transformar Petrolina em uma terra de oportunidades, ressaltando o legado de obras, prosperidade e sonhos realizados ao longo de uma vida dedicada ao serviço público.

A Facape lembrou o papel decisivo do ex-prefeito na consolidação da instituição, especialmente durante sua gestão, que culminou com a inauguração da sede própria em 1981.

Velório e sepultamento

O velório acontece na Câmara Municipal de Petrolina, a partir das 15h desta quinta-feira (29). O sepultamento está marcado para esta sexta-feira (30), às 10h, no Cemitério Campo das Flores, no Centro da cidade.

Diniz de Sá Cavalcanti faleceu em seu leito familiar, como desejava, ao lado da esposa Lourdinha, cercado por familiares e amigos. Pai de seis filhos, avô de 20 netos e bisavô de 18 bisnetos, Seu Diniz deixa uma história que se confunde com o próprio desenvolvimento de Petrolina.

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